quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Escrevo sobre publicidade #39

O anúncio da Wells em que um bebé começa a chorar de noite e os pais, pacificamente, conversam sobre quem vai lá dar assistência e acabam a rir da situação.

Só falta entrar um unicórnio a dizer "não se preocupem, descansem que eu vou lá!".

Ou o próprio bebé gritar, lá do quarto dele, "queridos papás, foi falso alarme; por momentos pareceu-me que o mundo estava a acabar mas já caí em mim e percebi, sozinho, que está tudo bem.".

terça-feira, 20 de setembro de 2022

O apocalipse

No outro dia sonhei que o meu mundo estava a acabar. Foi um sonho um bocado rebuscado e com personagens de origem incompatível, mas até acho que o meu subconsciente teve ideias inovadoras em relação a um possível ataque informático! (Boa subconsciente!) As ideias perigosas têm de vir de algum sítio, não é? 

Só me lembro de um bocadinho dos acontecimentos trágicos, que passo a relatar.

Estava num evento qualquer, sem os meus filhos, na companhia de um antigo chefe e da sua querida esposa. Não sei o que estávamos a fazer, nem sei porque estávamos ali mas, de repente, a Dona P. (a esposa do antigo chefe) olhou para uma revista do evento e viu lá a imagem de um busto esculpido e, no momento em que ela, em pânico, nos mostrou aquilo, soubemos todos, imediatamente, que ia haver um atentado naquele evento. Que aquele era "O" evento do atentado. Pelos vistos, era do conhecimento geral que a escultura da imagem era o símbolo que representava o atentado. 

Fiquei em pânico e pensei imediatamente em ir buscar os meus filhos para fugir. E onde andavam as crianças? Tinha-as deixado com o meu irmão, num sítio qualquer a que só conseguia aceder de elevador. Ali estava eu, completamente em pânico, a carregar no botão do elevador, quando me lembrei que podia ligar ao meu irmão! 

E foi aqui que se deu a ideia inovadora!

Quando peguei no telemóvel para lhe ligar, em vez de números para introduzir o código de desbloqueio, aparecia um botão a dizer "disparar"! Se tentasse mexer no meu telemóvel faria alguma coisa disparar!! (Embora fosse morrer dali a nada, percebi, ainda durante o sonho, que ali estava uma ideia inovadora!)

Ainda no sonho, vi projéteis em modo de voo para nos atingir, mas não fiquei lá tempo suficiente para ver o fim. Acordei um bocado em pânico, mas viva! Ufa!

Talvez esteja afetada pelos relatos de guerra que nos entram em casa diariamente mas a verdade é que tenho sonhos deste tipo há muitos, muitos anos! Tenho uma imagem bem nítida, na minha cabeça, da minha terra natal a ser atingida por mísseis, ali no descampado, onde agora é o largo da feira, enquanto eu me tento salvar abrigando-me debaixo do edifício jardim (sim, este post tem informações só acessíveis a alguns).

Espero que isto seja menos premonitório do que chalupice! 

Se podia sonhar com prados verdejantes e com o calor do sol a bater-me no rosto acariciado por uma brisa morna e perfumada? Podia, mas não era a mesma coisa.

F., 3 anos, 9 meses e 14 dias

Com cara de mau, zangado comigo porque eu o estava a obrigar a secar-se com a toalha depois do banho:

- Tu não andaste comigo na escola!

Ignorei-o. Manteve-se firme:

- Olha que tu não andaste comigo na escola!

Depois de pensar um bocadinho e já com um ar normalíssimo:

- Oh mãe, porque é que tu não andaste comigo na escola?

F., um gajo mau em formação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Posts desnecessários #70

 Acabei de me aperceber de que 98% das fotos que tenho no telemóvel são dos meus filhos. 

Só queria uma foto nova de perfil para o whaza... 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Ele ajuda-te com as crianças?

Não, ele não me ajuda com as crianças! Ele partilha comigo a tarefa de manter os nossos filhos vivos, saudáveis e felizes. Vou repetir, para os mais distraídos: os nossos filhos!

Um dia, um tio disse-me:
- Tens uns filhos muito bonitos!

Ao que respondi, tentando ter alguma graça:
- Fui eu que fiz! (hahaha, que engraçada que eu sou, vamos lá todos dar uma gargalhada - ou esboçar um sorriso de quem achou desnecessário  - e seguir para o próximo tema.)

- Não os fizeste sozinha! - diz-me ele, a tentar ser ainda mais engraçado que eu. (foi mais ou menos o mesmo nível de engraçadez - baixinho, baixinho.)

Pensei em continuar no tema, mas percebi que era conversa infinita e que não valia a pena tê-la naquele momento. Mas não ficou esquecida. Nunca mais me vou esquecer daquela conversa. Porquê? Porque, efetivamente, fui eu que os fiz! (Tá dito!) Porque, efetivamente, fazer filhos não é ter relações sexuais. Se é uma etapa obrigatória? Digamos que é o processo mais convencional mas, nos tempos que correm, nem sequer é necessária. Então vamos resumir o conceito de "fazer filhos" a pinar? Não tenho tempo nem disponibilidade emocional para vos explicar o quão não é a resposta a esta pergunta! E nem estou a tentar desvalorizar, rebaixar, ignorar, menosprezar os homens e o seu papel no processo mas... Sabem? Entendem o que estou a tentar dizer? Não, os homens não fazem filhos! Nunca vi um governo a negar o aborto a um homem. Nunca vi um homem a ser preso por ter perdido um filho durante a gestação. Nunca vi um homem a parir. Nunca vi um homem a amamentar. Nunca vi um homem com diabetes gestacionais nem com pré-eclâmpsia nem com colestase. Porquê? P-o-r-q-u-e o-s h-o-m-e-n-s n-ã-o f-a-z-e-m f-i-l-h-o-s.

Pronto, agora que esclarecemos aquele ponto, vamos ao seguinte: também nunca vi uma mulher a ajudar um homem a tomar conta dos filhos dele. Porquê? Porque são as mulheres (falo das abençoadas e tocadas pelos pozinhos de perlimpimpim do universo e cujo nível de sorte vai além das proporções galácticas do universo) que têm a ajuda dos pais das crianças para tomar conta delas (ai, e os que trocam fraldas? Ai, esses são diamantes rosa do equador, quais maravilhas do planeta - abençoadas criaturas).

Sabem o que me chateia mais do que a sociedade pensar que eu sou uma pessoa cheia de sorte por o meu marido partilhar as tarefas das crianças comigo? É o facto de eu também pensar assim!! Ai, tira-me do sério dar por mim a achar que sou uma pessoa cheia de sorte (que sou!). Viram?? Não me aguento, não dá para falar comigo! É o meu querido e odiado paradoxo pessoal.

Sorte? Não é sorte, é a vida a decorrer normalmente - são dois adultos a partilhar a tarefa de criar os filhos que têm em comum.

Mas, ai, tenho tanta sorte, o meu marido ajuda-me muito! (Fuck) Faz tudo o que eu faço com os nossos filhos! Fraldas, banhos, alimentação e tudo e tudo. Acho que até merecia ser tratado por mãe!! (Ui, agora nem eu sei lidar com o que escrevi, acho que fui longe demais!).

Pronto, era isto. 
Obrigada e bom dia! 

PS: um dia venho dar-vos a minha opinião sobre o tema: a escravatura existe e só não vê quem não quer ver.

F., 3 anos, 7 meses e bastantes dias

 Após ter-se magoado sozinho a subir para a cama dele:

- Mãe, magoaste-me, viste? Parabéns, mãe, fizeste um lindo serviço!


F., macaquinho de imitação