segunda-feira, 16 de março de 2015

#4 negociação - uma besta nunca vem só

- então é assim, a menina pode pensar que a avaliei assim porque a quero dispensar, mas não é esse o caso. a menina é importante e pretendo mantê-la na equipa. pode também pensar que se trata de algo pessoal, mas também não é esse o caso. então diga lá, quer começar por algum tópico em particular?

disse-me a besta, depois de ter chamado a participar na reunião a outra besta o coordenador que lhe deu todas as informações de que ele precisava para me avaliar como avaliou. (mais uma jóia de moço, portanto.) sabia, ainda, que assim eu ficaria ainda mais nervosa e que a reunião seria ainda mais curta. (não fosse ele perder demasiado tempo com uma nulidade de colaboradora que pouco mais merecia do que o desprezo. (já muito querido tinha sido ele em aceitar reunir comigo!)).

a menina é importante... não é nada pessoal... ah, se eu ganhasse um euro por cada barbaridade que tenho de ouvir...
sim, este é repetido. nutro um carinho especial por ele.
podia ter começado por lhes perguntar qual era a explicação que tinham para serem tamanhas bestas quadradas, mas optei por não o fazer, dadas as diferenças de porte.


- o relatório diz que eu não sei trabalhar em equipa e eu passei a maior parte da minha vida profissional a trabalhar em equipa.
- não é só trabalhar é preciso saber trabalhar em equipa. certo coordenador?
- amém.

todos os tópicos abordados resultaram na plena concordância entre a besta o chefe e a outra besta o coordenador. amém. concluí:

-  diga-me só uma coisa: se achou que o meu desempenho profissional ao longo do último ano foi assim tão lamentável, porque mo disse só agora? porque não me chamou à parte para mo dizer mais cedo?
- não tente pôr as culpas em cima das outras pessoas, menina, a culpa é só sua.

e foi nessa altura que eu desisti. end of reunion.



se a leitura deste texto conduz à sensação de que a reunião até foi uma coisa rápida e indolor desenganem-se: entrei aterrorizada e saí num pranto. a sensação era a de que tinha falhado tudo o que havia para falhar. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

posts desnecessários #56

acho que toda a gente devia ter um blog onde pudesse escrever o que lhe desse na real gana. é libertador!

às vezes parece que escrevo coisas sem sentido mas, de facto, não fazem sentido.

"agora não que joga o benfica"

e eu tenho mais que fazer.

terça-feira, 10 de março de 2015

#3 negociação - sede de vingança

foram dias difíceis os que se seguiram àquele.

o que poderá passar pela cabeça de alguém para dar 27% de avaliação de desempenho a um colaborador, se ele não for um anormal de primeira que não vê um boi à frente, nem que ele lhe dê um estalo na cara? (já sei que os bois não esbofeteiam as pessoas, mas dá para perceber a ideia, não dá?) sim, eu sei que existe o 26, mas damn, não será exagerado?

imaginei mil conversas com a besta, algumas acabavam bem outras nem por isso. e, embora já estivesse convencida de que ele tinha sido muito injusto na avaliação que tinha feito, ainda o sentia a espezinhar a minha auto-estima. essa já ninguém conseguia salvar, estava moribunda. havia algo de errado comigo, só podia haver!!

naqueles dias, eu não conseguia fazer raciocínios lógicos. nem queria! o que eu queria mesmo era vingar-me dele e do mal que ele me tinha feito! queria lá saber do trabalho e de como poderia melhorar, o que eu queria era magoá-lo como ele me tinha magoado a mim! queria pisar-lhe o pé partido e dizer "dói, não dói?? é para saberes o que é bom, seu anormal!!". 


embora tivesse lido, ao pormenor, todos os pontos da avaliação que me tinha sido atribuída, não estava minimamente preparada para reunir com ele. por mim teria ido embora da empresa sem sequer voltar a dirigir-lhe a palavra. mas dizem que as pessoas grandes não fogem, que as pessoas grandes enfrentam os problemas, que é a conversar que as pessoas grandes se entendem e blá blá blá pardais ao ninho. ia mesmo ter de acontecer! e aconteceu.

no dia em que a besta regressou da baixa médica liguei-lhe para reunir com ele "queria falar consigo por causa da minha avaliação de desempenho.".

já estava derrotada quando fui ter com ele. creio que mesmo que ele quisesse negociar alguma coisa comigo eu não lhe teria dado hipótese de o conseguir. a reunião serviu apenas para lhe insuflar o ego, porque eu estava convencida de que nenhum resultado positivo sairia dali. fui mostrar-lhe que sou fraca e que não tenho capacidade de reacção perante situações de stress emocional.

"boa, numbi, é essa a atitude... not!!" pode estar o professor a pensar. mas, na realidade, esta era a única reacção possível, dado o meu estado emocional. era isso ou enveredar pelo submundo do crime. até correu bem!

segunda-feira, 9 de março de 2015

nesse dia não posso, tenho cenas.

é a resposta que me ocorre sempre que me convidam para fazer algo que não me atrai, à partida. desta vez arrisquei tudo:

- numbi, sábado vamos comer açaí, pago eu.
- está bem. (fuck, vamos comer o quê?!?)
- vais gostar, vais ver!


desta vez, a coisa não poderia ter corrido melhor! sol, mar, puffs, caminhadas e isto:


obrigada, surfista, adorei! conheces-me tão bem!! 

ps: já gosto de calças às flores. e de alguns tipos de sushi também. não sei, poderá ser da idade...