terça-feira, 10 de setembro de 2019

Coisas (mesmo muito pouco) normais, normalinhas #3

Ontem fui, pela primeira vez, tomar café* com uma colega aqui do tasco (que, dizem as más línguas, é familiar dos grandes chefes). Éramos 4 mulheres - eu, a prima, a miúda nova (primeiro dia) e a boazona (sim, temos cá uma, hei-de escrever-vos sobre ela).

Percorremos os 100 metros que separam o escritório do armazém arruinando um potencial momento de calma e sossego com uma boa dose de conversa despida de qualquer tipo de interesse e eis que chegamos à máquina de vending, onde se podia comprar desde batatas fritas a chocolates, passando pelos inevitáveis lanches e croissants.

Enquanto tirava um lanche, dizia a prima:

- Pesei-me no fim-de-semana, quando cheguei de férias, e pesava 73 quilos! Engordei 3 quilos nas férias! Nós costumamos pesar-nos sempre, na balança dos porcos, antes de irmos de férias e quando regressamos.

Perante 3 almas desinteressadas, continuou:

- Achei muito estranho, mas pesei-me passado um dia e já só pesava 72 quilos. Depois voltei a pesar-me e já pesava 70 quilos outra vez. Eu sabia que devia ser só uma acumulação no intestino!

Soaram os alarmes na minha cabeça "e agora, como vou participar nesta conversa de e sobre merda?" "isto está mesmo a acontecer?" "ela disse mesmo que estava cheia de cocó?" "numbi, e se abandonasses já, sem sequer olhar para trás?" "como é que vens sempre parar a estes sítios, mulher?" "damn!".

- Eu sou assim, fico sempre com o intestino desregulado quando vou de férias. Tenho de levar clisteres e tudo!

Juro que tentei sorrir e acenar que sim com a cabeça, mas acho que não me saí muito bem.

- Agora já estou normal outra vez, faço duas vezes por dia.

Good for you, prima, good for you!

P'ra mim, que estou cá há um mês, foi uma experiência já a tender para o normal, dada a diversidade de experiências alternativas que se vivem por cá, mas imagino que a miúda nova tenha achado um pouco estranho. Um pouco.

A boazona disse-me, mais tarde, que o tema é sempre o mesmo, quando há pessoas novas no café. Achei bem, coerente, até. E normal, super normal.


*as in: ir à máquina de café, que está no armazém, a meio da tarde.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Coisas (mesmo muito pouco) normais, normalinhas #1 | adenda

Coisas (mesmo muito pouco) normais, normalinhas #1

Ainda na saga "de 15 em 15 dias é mais do que vocês merecem, escumalha"

Tenho levado o lixo p'ra casa ou para os contentores do armazém para não encher o caixote do lixo do gabinete.

Normal? Super!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Coisas (mesmo muito pouco) normais, normalinhas #2

Aqui, no novo tasco, não gostam que os funcionários usem palavreado caro nos e-mails internos.

Que tipo de palavreado caro, numbi? Proparoxítono? Obnóxio? Lheguelhé? (sim, existe.) Imarcescível? Perfunctório? Sevandija? Concupiscência?

Não, meus caros, não falo desse tipo de palavreado caro. Estou a falar de coisas como "no que concerne a..."

Normal... Not!

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pessoas, parem com isso!! Não estou sensível a qualquer argumento...

Pessoas, parem de me dizer que estão cansadas porque se deitaram tarde, porque dormiram mal, porque precisam de férias, porque estão a regressar de férias, porque está sol, porque chove, porque está um tempinho estranho, porque o cão ladrou de noite, porque levam trabalho p'ra casa, porque o telefone tocou, porque se levantaram 3 vezes de noite para ir fazer xixi, porque acordaram meia vez para beber um copo de água, porque ouviram um carro a passar na rua, porque estiveram a ver televisão até tarde (esta até me tira do sério), porque foram ao cinema (não me enervem), porque os amigos ficaram lá em casa até mais tarde, porque sim, porque não, porque talvez, porque foi noite de faaaarrrraaaaaa, porque coiso, porque ficaram a pensar no que havia para fazer no dia seguinte, porque tomaram demasiados cafés, porque o benfica perdeu, porque o porto ganhou, porque o sporting está à frente do campeonato, e o famalicão também, porque o Boris pediu a suspensão do parlamento para tratar de tudo à revelia, porque o Bolsonaro vai deixar arder até ter um pedido de desculpas ao insulto que ele próprio fez, porque o Trump nasceu, porque temos eleições em outubro, porque, afinal, pasmem-se, a Lady Gaga não anda com o pequeno príncipe e porque o Cristiano Ronaldo é lindo (confesso que ainda não percebi muito bem este fenómeno e, no entanto, isto não me tira o sono!!!).

Eu tenho um filho de 8 meses, estou completamente insensível a argumentação no campo do sono. Zero sensibilidade. Se for possível, estou a valores negativos de sensibilidade. Menos muitos.

Pessoas, parem com isso, a sério, não tenho vida.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Coisas (mesmo muito pouco) normais, normalinhas #1

14 meses depois de sair do meu trabalho anterior (hei-de escrever sobre isto, eventualmente...), estou de volta à vida profissional. Empresa nova, função velha. De volta aos números.

No meu primeiro dia de trabalho fui à casa de banho e a sanita não estava propriamente no expoente máximo de limpeza (as in: tinha uma mancha de cocó). Dei de barato, em sítios com muita gente há sempre quem não respeite, minimamente, o próximo (nos vários sentidos que se possa dar à palavra).

Veio o segundo dia. Tudo igual.

Terceiro dia. Idem.

Quarto, quinto...

Ao sexto ou sétimo dia, não sei precisar, veio a D. M. fazer a limpeza geral do edifício (cocó incluído).

Hoje (20 dias depois de eu entrar), na hora do café (que aqui se toma no armazém (only God knows why)), encontramos outra senhora da limpeza:

- Vai limpar o escritório hoje? Aquilo está tudo sujo.
- Tudo sujo? Ainda há 15 dias a M andou lá a limpar...

Ok. Over and out.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

I'm aliiiiiiveeeeee!!!

Oláaaaaa! Long time no write/read...

Então, caros amigos, como correram os últimos anos? Ah? Bem?

Por cá, fyi, mais complicação menos complicação, mais paciência menos paciência, menos hora de sono menos hora de sono, menos hora de sono, está tudo ótimo!

Os mais atentos notarão que vou começar a escrever sobre temas novos (que poderão, por vezes, parecer completamente aleatórios (e que, provavelmente, serão)), pelo que deixo aqui uma pequena lista dos acontecimentos mais marcantes da minha vida, nos últimos anos, para vos manter mais ou menos contextualizados:

- Casei com uma pessoa linda e maravilhosa.

- Tivemos um filho lindo e maravilhoso (que sai a mim, por isso tirem as vossas conclusões em relação à lindeza e maravilhosidade desta família).

- Compramos uma casa.

- Comecei a trabalhar numa área nova.

- Deixei de trabalhar na área nova.

- Voltei a trabalhar na área do costume.

- Aderi à Netflix (sim, ainda estamos a falar dos acontecimentos mais marcantes).

- Fui às Maldivas, Estocolmo e Madeira.

- Vi um concerto dos Queen.

- Lancei mais um CD (escrevi "mais um", viram?).

E pronto, agora que estamos novamente alinhados, podemos voltar à nossa relação unilateral em que eu partilho coisas convosco e vocês não fazem nada, nadinha de nada.

Ok, até breve.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Amigo R., o meu coração está contigo.

São acontecimentos pontuais que nos fazem questionar toda a nossa existência. O resto do tempo andamos em modo de poupança de energia, sem levantar muitas ondas, a ver se a vida vai passando suavemente, calma e indolor.

Mas depois, nos momentos mais duros, e a avaliar pelas incontáveis desigualdades e injustiças que presenciamos diariamente, fica mesmo a sensação de que isto é apenas uma sequência de acontecimentos aleatórios e de que não há nada que possamos fazer para que o universo conspire a nosso favor, para que não saia o nosso número.
Deus, o que fazemos? Continuamos a rezar, pedindo que a nossa vida e a vida das nossas pessoas vá passando sem grandes sobressaltos e agradecendo a nossa boa sorte? E, sendo assim, é mesmo sorte?

"Deus escreve direito por linhas tortas." 

Eu sei, ouvi isto toda a minha vida. Não toda a minha vida, apenas nos momentos trágicos e de aflição! Porque é muito fácil acreditar quando a vida nos dá flores. Mas, e agora? Agora que o mundo se virou de pernas para o ar e a revolta nos invade o coração como um punhal: cravado e rodado vezes sem conta, até ficarmos sem forças e nos deixarmos cair. Com o punhal preso no coração.

Nós sabemos que o tempo nos vai ajudar mas, até lá, é tão difícil, Deus. Parece-nos tão injusto. Tão injustificado. Tão triste. Tão revoltante. Porquê? É um castigo? P'ra quem vai ou p'ra quem fica? Ou é o "ter de ser"? (O "ter de ser" é tramado, é mais um dos que apenas dá um ar da sua graça nos momentos difíceis.)

Um dia, com certeza, perceberemos os teus desígnios. Um dia haveremos de estar contigo e achar ridículas todas estas dúvidas que nos assombram nestes momentos de aflição. Um dia tudo será claro.

Até lá, Deus, deixo-te o meu sincero agradecimento pela vida, pela família, pelos amigos e pelas incontáveis alegrias. Obrigada pelos dias de sol e pela chuva. Pelas plantas, pelos animais, pelo mundo que criaste. Obrigada pelas dificuldades que nos ajudaste a superar e que fizeram de nós pessoas melhores e mais fortes. Obrigada pela força e pelo carinho.

Nós sabemos, Deus. Mesmo nos momentos que nos fazem questionar, nós não nos esquecemos.

Descansa em paz, F.