quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

falo-vos das visões de uns e de outros

no outro dia estavam uns a falar com outros quando surgiu o famoso tema "se nos sair o euromilhões...".
uns começaram logo a pensar em deixar o trabalho e irem fazer o que realmente gostam, compravam um aston martin xpto e um quintinha p'ra se entreterem a reabilitar. viveriam à grande e à francesa! não haveria o "das 9 às 6", não haveria chefes, não haveria preocupações, não haveria stress, só diversão e parrrrrrty!!!
os outro disseram "se ganhassemos o euromilhões compravamos um iate! mas tinha de ser um T5!" e uns ficaram confusos... como é que nunca tinham pensado num iate T5?? se calhar nunca sequer tinham ouvido falar em iates com Ts à frente... e ficaram a pensar nas diferentes visões que uns têm em relação aos outros. uns acham que a vida não está nada bem, pá, é preciso uma revolução, e nada melhor que ganhar o euromilhões para dar início a esse processo. os outros acham apenas que era giro ter um iate T5, porque de resto está tudo bem, obrigado! (até porque só não temos um aston martin porque não queremos, uns não sabem mas nós até temos uma quinta, e não há trabalho melhor que o nosso!)
devo acrescentar, a favor de uns (acho eu), que uns são substancialmente mais jovens que os outros, e por isso não sabem se a sua visão mudará com o tempo, mas p'ra já dá p'ra perceber as diferenças, não dá?
eu, pelo menos, oh, quero dizer "uns, pelo menos" ficaram a perceber qual era a direferença entre a visão de uns e de outros em relação à vida e ao que esperar dela!
não é só porque uns são filhos e os outros são enteados, é simplesmente a visão que se tem das coisas...
tenho a certeza que haverá outros ainda que pensarão: se ganhassemos o euromilhões abriamos uma empresa para podermos trabalhar e alimentar a nossa família e compravamos uma casinha e um carrinho para termos uma boa vida!
creio que o facto de não termos bem a noção do que significa "ganhar o euromilhões" nos limita os sonhos em relação a essa possibilidade, ao horizonte onde ela nos poderá levar... mas mais importante que isso é a visão que temos da nossa vida actual e daquela que sonhamos ter. eu acho...
15 milhões de euros poderão ser um iate T5, o passaporte para uma vida descansada ou ser apenas a garantia de que não haverá mais fome...
visões, digo eu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

quando o chefe estiver fora

será dia santo na loja! :) e ainda será melhor se multiplicarmos por 3!! nice!!

a falta de coragem não me falta

quero fugir deste conforto que me entristece e adormece
que me desliga de mim própria, da minha essência, da simplicidade e da diferença
mas a falta de coragem não me falta
é apenas o conforto que me arrasta e não me deixa decidir
são os hábitos de outras vidas que nos vão contagiando
quanto mais olho o mundo mais os vou renunciando

quero fugir, fugir até onde puder
mesmo que dure um instante, já será o bastante
para conseguir viver

quero soltar-me deste nada que me envolve e não me deixa sequer pensar
na forma mais rebelde, irreversível, de me escapar
é simples o meu querer e tão difícil se vai tornando
quanto mais quero escapar, mais me vou resgatando
mas a falta de coragem não me falta

quero fugir, fugir até onde puder
mesmo que dure um instante, já será o bastante
para conseguir viver

Yolanda Soares - metamorphosis - fugir até onde puder

vou descobrir o mundo!

não costumo viajar muito. para ser mais precisa devo dizer que viajo muito, mesmo muito pouco. quase nada, até.
se não contar com as escalas nos aeroportos, onde, na realidade, não estamos oficialmente no país onde eles se encontram, estive apenas em 3 países na minha vida toda... sim, Portugal incluído...
Portugal, Espanha e Irlanda, continhas feitas só me falta ir à Grécia para completar a minha ronda pelos PIGS, "Portugal, Ireland, Greece and Spain" que são, a nível económico, o "calcanhar de Aquiles" da UE... (obrigada pela dica, ex-padrinho.) (creio que o facto de nunca ter ido à grécia me livra de qualquer tipo de acusação de associação com o estado em que se encontram as referidas nações, que tentem engendrar contra a minha pessoa.)
mas um dia destes parto à aventura e vou conhecer o mundo!

conto-vos umas coisas

que preferia que ninguém soubesse... são coisas embaraçosas... e eu sou tímida... :$ (estão a ver?)
mas, uma vez que fui recordada de uma dessas coisas pelo arroz do céu dela, agora vou desvendar algumas coisas que foram acontecendo ao longo da minha "carreira".
eu não minto. sendo a meu favor ou contra mim, eu não minto. era uma convicção que tinha quando a minha inocência tinha completo controlo sobre mim. (e isso só deixou de acontecer há bem pouco tempo)
na minha entrevista de emprego, para a empresa onde trabalho actualmente, (como vêem a coisa nem correu assim tão mal!) cheguei ligeiramente mais tarde que a maioria dos outros candidatos (os outros cerca de 28...) e, como consequência, tive de me sentar na fila da frente do auditório... damn... menos mal que tinha levado umas calças de tecido e botinha de salto alto, assim poderiam verificar que me esforcei. a coisa estava a ser bastante pacífica, perguntas aleatórias aos candidatos e suddenly: "a menina, aqui na frente, é isto que gosta de fazer? era isto que queria fazer?" (se a pergunta não foi esta, e é bem possível que tenha sido uma variante qualquer, foi a isto que eu respondi) "não, não é disto que eu gosto, eu gosto mesmo é de cantar! mas tirei este curso e agora é nisto que vou trabalhar" (a resposta também pode ter sido uma variante a isto, mas o ponto crucial da questão é este: "NÃO, EU GOSTO MESMO É DE CANTAR!") mas o que é que lhe terá passado pela cabeça?? será que não quer mesmo este emprego?? mas então porque estará aqui, na entrevista?? (isto, alguns adjectivos como burra, estúpida, croma, inocente, anormal e expressões como "já foste", "daaaaah", "mas o que vem a ser isto?" "cai na real, miúda", devem ter passado pela cabeça de todos os outros candidatos e entrevistadores) tinha uma amiga ao meu lado (também chegou uns segunditos mais tarde que os outros 28...) que hoje, 5 anos volvidos, ainda se parte a rir de cada vez que se lembra disto. (mas não se ri assim p'ro ar, ri-se p'ra (de) mim!!) a verdade é que ambas, eu e a minha amiga, conseguimos o emprego! (não sei... deve ter sido por causa das calças ou das botas, é que não sei mesmo...) é que a vida tem razões que a própria razão desconhece!
outro episódio (que preferia não relatar): fui cantar as janeiras com o grupinho do costume. janeiro, ainda em modo "espírito natalício", lá vão eles, felizes e contentes, cantar o tradicional noite feliz...eles não, eu... a solo... em casa do pároco da freguesia... e Deus me perdoe, que grande fiasco!! foi mais ou menos assim: "... dorme em paz ó Jesu (respiração) us, (um buraquinho ó faxabor) (tirem-me daqui) (aaaaaaaaaaaah) dorme em paz ó Jesus."
poderia contar-vos também aquela vez em que ensaiei mal as estrofes do salmo, e convicta das minhas potencialidades, as cantei todas mal na missa! ou então aquela(s) vez(es) em que simplesmente me esqueci da melodia e cantei p'ra lá qualquer coisa. poderia contar-vos também a vez em que usava uma t-shirt com um grande 69 na frente e fui cantar o salmo num casamento, ou a outra do funeral e da t-shirt vermelha que dizia na frente qualquer coisa como "lost in paradise"...
felizmente a minha mente faz filtros e não consigo recordar-me de todas as tristes figuras que já fiz ao longo da minha "carreira", mas posso garantir-vos que são mais que muitas e algumas delas dignas de constar num qualquer livro humorístico, daqueles em que ficamos a pensar "não é possível..." mas é possível, meus amigos, é possível...
"estive a ver os desenhos e encontrei as portas todas, menos a porta piaçaba!"
é possível... :)


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"envio o e-mail"

hoje foi o dia! "enviei o e-mail".
porque escrevi "enviei o e-mail" entre aspas? ("porque fazes isso em todos os posts e, pra sermos sinceros, às vezes nem percebemos muito bem porquê..." "e acabaste de o fazer outra vez..." "e outra..") ok, ok, check! mas desta vez tenho uma explicação! das boas!!
é que "enviar o e-mail" foi muito mais que isso, foi um passo de gigante que acabei de dar!
posso dizer-vos que se tivesse "enviado o e-mail" da primeira vez em que pensei faze-lo, a coisa mais parecida com "enviar o e-mail" que eu poderia ter feito, na altura, teria sido "enviar uma carta". poderia estar aqui a multiplicar anos por 365 dias, para vos dizer há quantos dias isso foi, mas penso que não será necessário fazê-lo, uma vez que vou contar-vos a história toda! :) ("oh não!!" tem de ser, amiguinhos, temos de começar pelo princípio... and i did it again...)
então comecemos onde começa a história:
no início era tudo uma grande bola de gases e poeiras... depois foi o big bang e... (se me permitem vou passar algumas etapas à frente porque não estive muito atenta nestas aulas...)... e eu nasci! :) 3 kg e qualquer coisa, a menina dos olhos dos meus pais (só tenho irmãos, homens...). e cresci (parem nos 4, 5 anos) e um dia, estava eu "sogadita" num salão de chá quando alguém me diz para ir cantar para o "palco" (que era simplesmente uma parte mais elevada do pavimento) e eu, como uma menina bem comportadinha que sou, obedeci e fui cantar. devo ter cantado todo o meu repertório nessa tarde (foram certa de 40 segundos a cantar o "atirei o pau ao gato"). e foi aí... pá, acho eu que foi aí que lhe apanhei o gosto, porque recordações desse dia só mesmo em foto... e depois cresci mais (até aos 10 anos) e disseram-me p'ra cantar o "chegou a hora do adeus" na festa de final da 4ª classe. nessa altura já eu tinha tal emotividade na voz que deixei toda a gente a chorar (isso ou chorar já era tradição nessas festas, mas sempre preferi a minha versão...).
(NOTA: o meu diploma da 4ª classe diz assim, por baixo da minha foto: vou estudar muito para um dia vir a ser uma grande cantora!)
ingressei no grupo coral naquela idade em que ainda precisamos de nos deitar todos os dias às 21:00 e, como o ensaio é exactamente a essa hora (o raio das coincidências, pá), eu ia p'ra lá dormir... "canta baixinho, de maneira a que ninguém oiça", dizia-me o maestro de vez e quando, (acho que era pela potência da minha voz, porque está completamente fora de questão que desse notas fora do sítio!!) e cresci mais (aí até aos 16 anos) e descobri que era isso que queria fazer da minha vida!! cantar é o que quero fazer da minha vida! (cheguei a admiti-lo com as lágrimas nos olhos, como se já soubesse que não, não era isso que iria fazer da minha vida...) mas, anyway, foi por volta dessa altura que comecei a pensar em "enviar o e-mail"... 9º ano: qual a área a escolher para o secundário?? fiz os super testes que decidiam a nossa vida (pelo menos nos 3 anos que se seguiam) e, surpresa das surpresas, deu-me artes!! uuuuuuh, que grande novidade, quero ser cantora, hei-de ir pra que área?? (daaaaaah) e então fui p'ra ciências... (não quero falar sobre isto) e, à medida que ia crescendo, a vontade de "enviar o e-mail" foi aumentando, mas nunca o fiz... nunca "enviei o e-mail" não sei bem porquê.
paralelamente às ciências sempre fui cantando, e, ainda agora, só não canto se não me deixarem (e correrem mais do que eu) mas, mesmo assim, nunca consegui "enviar o e-mail"... estranho...
(isto de escrever é cansativo!! vou abreviar agora...)
e agora, no presente, dei um passinho pequenino ao fazer umas perguntinhas sobre o assunto, mas mesmo assim não me decidi a "enviar o e-mail"... hoje finalmente, tive o empurrão que me faltava: a menina a quem fiz as perguntinhas ligou-me a dizer: "então? sim ou sopas?" ("diz que sim, diz que sim, diz que sim!!") (quase a conseguia ouvir a pensar isto) e, como não sou pessoa de dar desgostos a ninguém, propositadamente, disse-lhe que sim e "enviei o e-mail"!! :)
enviei o e-mail que oficializou a minha inscrição em aulas de técnica vocal!!! (estou a ouvir vivas e hurras a mim!!!)
hoje foi o dia!

leio isto:

"as nossas emoções são escravas dos nossos pensamentos e nós somos escravos das nossas emoções."
e isto:
"máquina de processamento de pensamentos e devoradora de almas, que é o meu cérebro."

não está nada mal pensado, pois não? foi a exma. sra. Elizabeth Gilbert que pensou nisto, quando estava a tentar meditar na India, sem sucesso porque o seu cérebro não lhe dava descanso. pensou também em pensamentos iguais a macacos a saltar de árvore em árvore e a fazer pausas apenas para se coçar, gritar e cuspir... a imagem não é bonita, mas é bastante ilucidativa!
gosto desta senhora, pá! é que gosto mesmo!