quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

quis saber quem sou, o que faço aqui

"não digas que para ti já não há segredos 
e que os sonhos morreram no horizonte,
quando o beijo do sol rasgou o envelope da noite,
deixando suspensa, na tremura dos teus dedos,
a surpresa de uma pergunta sem resposta.

não deixes que o fastio envenene o teu projecto

e te adormeça nas mãos do desalento.
talvez o caminho seja de escaldante deserto,
a pôr à prova o valor do teu talento.

há quem vegete, na áurea da mediocridade,
desdenhando os voos da águia real.
não te enredes nos fios da facilidade,
desata as amarras, esquece o calor do ninho,
suspenso no aconchego de um beiral.

não chores o passado, nem maldigas o futuro.
vive o presente, com entusiasmo e ousadia.
não te deixes apodrecer como ferro velho,
esquecido nas escórias lameiro.
olhos no olhos, é esse o teu espelho,
retoca com amor a tua original fotografia.

a vida é sempre uma aventura
para quem não tem medo de arriscar.
rebenta as amarras do destino,
é tua a hora, faz-te ao mar."

t.p.p. - facebook 22.01.2013

a minha primeira reacção a este poema, que achei fabuloso, foi: "ei lá, alguém anda a espiar-me!!". já viram algum daqueles filmes baseados em factos verídicos e que no final mostram as fotos das personagens reais? pronto, a foto no fim deste poema poderia muito bem ser a minha! é disto que estou a falar.

fiquei a reflectir sobre a minha vida. sobre se ela tem sido a aclamada aventura, se ando a chorar o passado e a maldizer o futuro, se ando a vegetar na áurea da mediocridade, se me tenho enredado nos fios da facilidade, se tenho deixado que o fastio envenene o meu projecto, se para mim não há segredos e se os meus sonhos morreram no horizonte.

os resultados desta reflexão não foram os melhores, fiquei triste... a conclusão a que cheguei foi mais ou menos esta: preciso de saber quem sou e o que faço aqui! (principalmente o que faço aqui... pronto, tá dito!)

5 comentários:

Mar disse...

fantástico!!!
eu também preciso de saber quem sou, o que faço aqui...
acho que a minha hora de me fazer ao mar ainda não chegou, ou então eu deixei-a passar, sei lá... vou ter que esperar que o relógio dê a volta novamente :)

numbi disse...

sim, mar, é um texto sensacional!! :)
mas sabes o que sinto? que não devíamos ter de esperar que o relógio desse a volta! sinto que cada hora deveria ser a hora de nos fazermos ao mar, transformando as nossas vidas em constantes aventuras! que deveríamos sonhar sempre e cada vez mais! que devíamos batalhar constantemente contra o comodismo e o conformismo! que devíamos criar o nosso próprio destino, ao invés de ficarmos à espera que ele aconteça...
e a minha tristeza, ao ler o poema, deve-se ao facto de eu não fazer nenhuma das coisas que mencionei acima...
"olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço..."

Jolie disse...

Já fiz o meu voo de águia real. Já me fiz ao mar a nadei contra a corrente. Não me tendo enredado nos fios da facilidade, o fastio teima em envenenar o meu projecto. Não quero vegetar na áurea da mediocridade mas tenho medo de arriscar. Não me deixo adormecer nas mãos do desalento e retoco com amor a minha fotografia original. Sei quem sou e o que faço aqui, mas vejo os meus sonhos morrerem no horizonte ...

numbi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
numbi disse...

já tens menos coisas a alterar na tua vida do que eu na minha, por isso arrisca! não deixes morrer os teus sonhos!!